
UM AUSENTE
Tenho razão de sentir saudade, Tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rasgaste E sem te despedires foste embora. Estoiraste o pacto. Estoiraste a vida geral, a concordância habitual De viver e explorar os rumos de esquecimento Sem prazo, sem consulta, sem provocação Até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas vidas. Que poderias ter feito de mais grave? O acto sem continuação, o acto em si, O acto que não tentamos nem sabemos tentar Porque depois dele não há nada! Tenho razão para sentir saudade de ti, Da nossa sociedade em discursos de blá blá blá, Simples abraços, nem isso, voz… Sílabas conhecidas e banais Que eram sempre de certeza e segurança. Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste O não previsto nas leis da amizade e da natureza Nem nos deixaste o direito de te abraçar uma última vez! Porque o fizeste? Porque foste?
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